ROSA, 15 ANOS DE SAUDADES

No próximo dia 25 de janeiro de 2016, completará 15 anos que o principal responsável pelo crescimento do bodyboarding nordestino nos deixou: Francisco Rosa.

Rosa faleceu aqui em Fortaleza, vítima de pneumonia (segundo fontes da internet), tinha uma família numerosa e bastante humilde. Residia na Travessa Aracoiaba, Praia de Iracema, aqui na “Terra do Sol”, e era local da Ponte Metálica, berço do bodyboarding cearense. Juntamente com Rogério Biola e Bira Teixeira, os três formaram na década de 80 um trio muito temido nas competições nordestinas e nacionais, inclusive, foram apelidados de “os três mosqueteiros”.

O “Lio”, como Rosa era conhecido entre os mais próximos, foi o primeiro campeão cearense em 1986, quando o estadual era feito pela ASF – Associação de Surf de Fortaleza (antes da ABBC/1988), e o primeiro bodyboarder cearense e nordestino a se destacar numa competição nacional, fato ocorrido no “Fico Surf Festival”, na praia de Stella Maris, em Salvador/BA, no ano de 1987, por isso ele é considerado o atleta pioneiro do crescimento do esporte na região nordestina do país.

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Desde então, Rosa conseguiu bons patrocinadores e passou a participar dos grandes eventos, tendo repetido feito parecido com o de Stella Maris ao ganhar várias etapas do circuito brasileiro, inclusive a 2ª etapa do 3º campeonato brasileiro, em 1990, ocorrido na Praia do Tombo, em Guarujá, se tornando o primeiro “não-carioca” a vencer uma etapa do circuito nacional. Além dessa etapa do brasileiro, venceu outras três na carreira até 1998, terminou em 3º no ranking nacional de 1991, venceu duas Copas Cavalo Marinho, foi octacampeão cearense, bicampeão nordestino e 3º colocado no International Bliss Competition em 1989, ocorrido na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, vencido pelo grande “Xandinho” de Pontes numa final contra o havaiano Mike Stewart. “Lio” também passou a ter um reconhecimento internacional, quando se destacou bastante no estilo “drop-knee”, sendo considerado até hoje, inclusive por Kainoa Mcgee (havaiano mestre mundial do estilo), um dos maiores de todos os tempos, e participou de várias etapas do mundial, tendo viajado pela primeira vez para fora do país em 1989, onde conheceu Pipeline, no North Shore da ilha havaiana.

Em entrevista dada ao jornal The Surf Press (edição nº 56, de abril/98), Rosa revelou que sua vitória mais importante da carreira foi o título da etapa do brasileiro em Maracaípe (PE), no ano de 1993, por ter vencido na semi-final o carioca Fábio Aquino e na final o também carioca Marcelo Siqueira. Ainda na mesma entrevista, considerou o havaiano 11X campeão de Pipeline e 9X campeão mundial, Mike Stewart, o melhor bodyboarder da história do esporte. Já na revista Extra Magazine, o qual dirigia quando veio a óbito, externou para Vânia Ramos, editora, que seu grande sonho era ser capa de revista, e isso se concretizou no mês de fevereiro de 1998, na edição nº 19 da revista Style, numa imagem feita por Clemente Coutinho no tubo da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha/PE.

Conhecido pela sua técnica e, portanto, competitividade, “Lio” deixava seus adversários em pânico nas baterias e passou a ser respeitado no “outside” por paulistas e cariocas, os grandes adversários dos cearenses e dominadores do circuito nacional naquela época. Apesar dos três títulos cearenses (que ainda tentamos identificar os anos, diante da dificuldade de registros históricos e disponibilidade de atletas antigos), das várias etapas vencidas dos campeonatos brasileiros e do seu nível altíssimo de competitividade, Francisco Rosa não conseguiu ser campeão nacional.

Particularmente, tive a honra e felicidade de, no final da década de 80, surfar ao lado dele no famoso “Lido Brabo” – pico da Praia de Iracema onde comecei no esporte (imagem abaixo de 1989 feita pelo Raul Oliveira) – e por várias vezes saí do mar para assistir o show de bodyboarding que Rosa dava nos seus treinamentos. Além disso, minha única tatuagem (cavalo marinho), que gerou um conflito imenso com meus pais, foi escolhida mediante o que representava para o esporte, na época, as “Copas Cavalo Marinho”.

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Por isso, diante da importância do grande Francisco Rosa, mas também para agradecermos e mantermos vivas nossas memórias do maior de todos os atletas cearenses, é que a ACEAB, juntamente com a FBCE (Federação de Bodyboarding do Ceará) e a ABBC (Associação de Bodyboarding do Ceará), convocam toda a família bodyboarding para encontro no final da tarde do próximo domingo, dia 24 de janeiro, no pico berço cearense do esporte, onde será realizada homenagem nesses 15 anos de saudades. Vamos marcar presença naquele pico galera!

CARTAZ ROSA

FRANCISCO ROSA, HOJE E SEMPRE!

Abaixo, depoimentos de grandes do esporte sobre o Rosa…

“O conheci na Praia de Iracema, quando vim morar na Rua Aracoiaba, conhecida na época como Rua do Bagaço (maiores detalhes no meu futuro livro). Nunca pensei que fosse sentir tanta saudade daquele gago véi…rs, era assim como o chamava, quando queria frescar e o deixava muito irritado. Até isso sinto falta meus amigos. Éramos companheiros de jornadas nas estradas da vida, estrada que Deus nos colocou juntos para a missão. O Rosa era um cara muito determinando e, quando ele falava que ia ganhar a competição, ele ganhava, e ninguém era páreo, o mesmo era quase imbatível. Lembro do nosso primeiro campeonato fora do estado do Ceará, na Parnaíba, num pico muito massa conhecido por ‘Pedra do Sal’. Quando chegamos na rodoviária da Parnaíba, cansados da viagem, sentamos para esperar o pessoal da organização que iria nos levar até o local do evento, foi quando ele olhou pra mim e falou, com aquele jeito bem sério: vou ganhar esse campeonato. O desgraçado num ganhou galera…kkkk. O Rosa surfava muito, o seu free-surf era único. Ver o Rosa surfando no havaizinho, meus brothers, era coisa de louco, muita massa meus irmãos, o cara entubava como ninguém, parecia que a onda e ele combinavam antes. Ele se colocava e a onda só o cobria, com aquele tubo perfeito. Saudades Chico Rosa!!! Às vezes, nos encontramos nos meus  sonhos. O meu espírito vai até onde se encontra e nos falamos sempre. Uma vez, até surfamos juntos como fazíamos, foi muito massa como sempre foi. Por tudo que ele fez, em prol do bodyboarding cearense, o mínimo que podemos fazer para ele agora é orar, para que seu espírito continue crescendo nas esferas do mundo espiritual e sua evolução seja eterna. Agente se vê, Lio, se Deus quiser, But net yet…rsrsrs. Muita Paz meu amigo aonde esteja!!!!!!!! (Rogério Biola, pioneiro do bodyboarding cearense, primeiro campeão estadual com a ABBC, e parceiro das competições pelo país) 

“Como não ver o pôr do sol na Ponte e observar aéreos e drop-knee’s de Rosa? A história de origem e crescimento do bodyboarding cearense e nordestino a nível brasileiro sempre terá o nome de Francisco Rosa.” (Bira Teixeira, pioneiro do bodyboarding cearense, campeão cearense 1987, e parceiro das competições pelo país, juntamente também com Biola)

Francisco Rosa, foi o maior protagonista do bodyboard nordestino! Quando ainda não havia a mídia social, celular ou qualquer meio de comunicação que desvendasse com velocidade o que estava acontecendo no esporte, o tímido cearense de surf impecável e radical, despontou no cenário nacional, no Fico Surf Festival, na Bahia. Rosa quebrou a hegemonia do eixo Rio-SP, e chamou a atenção do BB nordestino, em especial o do Ceará. Arranjou uma disputa ferrenha nas competições com todos nós, mas nos brindou com seu DK incrível, o melhor do bb! E, acima de tudo, nosso respeito, admiração e amizade ao longo dos anos que convivemos! Aloha! (Marcus Cal Kung, o grande pioneiro do bodyboarding nacional)

“Acho que vai ficar na memória de muitos bodyboarders, o lutador que foi o Rosa. E o surfe que ele adquiriu aqui na Ponte Metálica foi algo que se espalhou no mundo.” (Guilherme Tâmega, hexacampeão mundial, na última visita à Fortaleza)

“Francisco Rosa era o nosso grande cicerone de todos os atletas quando íamos ao nordeste para competir, o melhor atleta de todos os tempos em estilo e inovação, por surfar também de drop-knee. Gente fina demais, simples e humilde, além de ser um grande campeão. Todos os atletas do Brasil sempre tiveram um respeito grandioso por ele.” (Neymara Carvalho, pentacampeã mundial)

“Francisco Rosa was someone that found the courage to folowed his heart and strived for his dreams, on example for all to folow. May God bless him.” [Francisco Rosa era alguém que teve a coragem de seguir seu coração e lutou por seus sonhos, um exemplo que todos devem seguir. Que Deus o abençoe.] (Mike Stewart, 9X campeão mundial, 11X campeão de Pipeline)

“De personalidade simples e humilde, Francisco Rosa foi uma referência! O primeiro bodyboarder nordestino que chegou incomodando a hegemonia da região sudeste, especialmente o Rio de Janeiro, que na época tinha os melhores atletas. Dentro d’água ,um surf completo e radical. Surfava muito deitado ou de drop-knee, aliás o melhor drop-knee brasileiro da época. Sua ausência fez e faz muita falta para o bodyboarding brasileiro!” (Cláudio Marques, big rider carioca, pertenceu a mesma equipe patrocinadora do Rosa)

“É até hoje uma das maiores referências do bodyboarding! Abriu as portas para os atletas nordestinos no cenário nacional e deixou um legado enorme! Quem o conheceu sente e sentirá sempre saudades do nosso ETERNO FRANCISCO ROSA! R.I.P.!! (Roberto Bruno, cearense pentacampeão brasileiro)

“Um precursor no bodyboarding. Sempre que podia dava força a mim e a categoria feminina, pois achava que existiam poucas mulheres surfando. Ele foi tudo, alguém sempre disposto a ajudar, que sempre me dava dicas de como me dar bem no mar e na vida.” (Patrícia Helena, campeã cearense profissional na década passada)

“Francisco Rosa sempre foi um atleta fenomenal. Inspiração para toda a nova geração. Suas manobras e linha na onda me impressionaram. Rosa foi e ainda é referência do bodyboarding brasileiro. Aloha!” (Fábio Aquino, grande bodyboarder carioca)

“Inspiração de vários atletas, surfava com uma maestria de encher os olhos. Parecia ser tudo tão fácil. Sentimos sua falta, Lio, mais nunca será esquecido. Amém.” (Seikiti Shimon, grande bodyboarder da época)

“Como poder pensar que já faz 15 anos que Francisco Rosa faleceu. E de como ele escreveu a história do bodyboarding por onde passou. O “Cara de Gato”, mestre do estilo e da plástica. De fazer parecer fácil o que era difícil em uma linha de onda. Onde o politicamente correto nunca existiu e rompeu todas as barreiras do preconceito e discriminação. Influência de gerações e um divisor de águas dentro de tudo que se pode falar de referência. Uma perda para todos, principalmente para quem conviveu, competiu e compartilhou momentos dentro e fora d água. Um profissional no real sentido da palavra. Tenho 2 momentos distintos, inesquecíveis. A caminhada pelo calçadão de Copacabana, depois de dormir na casa do Sebastian Gomes (Tião), junto com Biola, para surfar o Posto 5 com altas ondas, com a resenha e as brincadeiras de uma galera que, se metade dos profissionais do Brasil fossem que nem eles, talvez a nossa história do esporte teria sido diferente. Outro momento, talvez uma das mais épicas baterias de todos os tempos dentro de um evento nacional, a final de Guilherme Tâmega e Francisco Rosa na Barra da Tijuca, onde a menor nota foi um 9,3 do Francisco Rosa. Os 2 tinham notas 10,0 (naquela época se somavam as 3 melhores).O GT tinha 10, 9.8 e 9.7. O Rosa tinha 10, 9.7 e 9.3. A cada onda os dois se encontravam, batiam as mãos e brincavam dentro d água, como grandes amigos, profissionais e conscientes do que significavam e tinham que fazer. Um dos grandes momentos da minha vida dentro de uma torre de juízes. Diziam que ele era merrequeiro, só pegava para a esquerda, mas o que ele fazia para o lado esquerdo assustava o suficiente que ele nem precisava do outro lado. Diziam que Garrincha tinha o mesmo drible, só para um lado e que era sempre igual. Mas era perfeito, insubstituível. Gênio e anjo de pernas tortas. O Rosa foi um gênio no que fez. O que fez foi o suficiente para deixar sua marca para sempre. Foi o nosso “Gênio e Anjo de Pernas Tortas”. Saudade sempre meu amigo. Obrigado a todos por manterem viva a memória do Rosa. Vai merecer hoje e sempre enquanto houver bodyboarding.Um grande abraço a todos.” (Chico Garritano, brasileiro head – judge do circuito mundial / Managing Director of A.P.B. Events / A.P.B. Latin America Director / ISA/APB  Head Judge / Pan American Surfing Association Head Judge)

“Quando o amigo Paulo de Tarso, o Mano, me pediu para escrever sobre o Francisco Rosa, me senti honrado. O difícil é ser breve com tanta coisa para falar sobre ele. Dizer que ele foi um ícone do bodyboarding cearense e nordestino seria pouco para seus feitos…ele foi um dos bodyboarders mais talentosos e radicais que já conheci na minha vida. Influenciou a sua geração e continua influenciando as futuras. Guerreiro, amigo, humilde, engraçado e, acima de tudo, um grande campeão que impressionou e fez história no Brasil, de norte a sul! Pra sempre FRANCISCO ROSA!” (Bruno Calheiros, ex- head – judge do circuito brasileiro e mundial, além de primeiro presidente da Associação Mundial dos Árbitros)

“Francisco Rosa aprendeu o caminho da competição, se espelhou nos melhores e, junto dele, sempre esteve alegria, descontração, com foco em seus objetivos que o fez um grande vencedor. O vencedor muitas vezes não tem um grande título, mas ganhou muito pelo que conseguiu transmitir às gerações futuras.” (Mauro Achiame, conhecido por Mauro Rabelé, paulista ex-head-judge do circuito brasileiro de bodyboarding)

“Francisco Rosa representou o pioneirismo do bodyboarding cearense e eternizou seu nome historicamente, tudo através de seu talento inconfundível na onda, e foi o principal responsável pelo ingresso do estado do Ceará no cenário nacional.” (Paulo de Tarso, o “Mano”, pioneiro da arbitragem cearense, primeiro presidente legal da ABBC – Associação de Bodyboarding do Ceará e atualmente diretor/head – judge da ACEAB – Associação Cearense dos Árbitros de Bodyboarding)

“Conheci Rosa no Havaizinho da Ponte Metálica, durante um surf, após chegar do Rio de Janeiro, no começo da década de 80. Nos tornamos grandes amigos, conheci toda sua família e gosto muito de todos. Rosa sempre foi uma pessoa voltada para o futuro e visualizou uma postura profissional que passou a praticar quando ninguém na região nordeste tinha noção dessa importância. A grande decepção dele foi a primeira viagem para o Havai, em 1989. Na verdade ele não considerou decepção, o fato de ter amarelado em Pipeline, pois encontrou um swell de norte, totalmente esquisito. “Porra Miguel, quando cheguei na praia, que pisei na areia, o chão tremia, eram as ondas de Pipe quebrando, foi minha primeira viagem internacional e peguei um swell cabuloso, atravessado na bancada, aquilo era vida ou morte.” Semana anterior havia morrido um surfista e Rosa ficou cabreiro, como eu também teria ficado. Humildemente, reconheceu que precisava de mais temporadas no Havai, e que aquela experiência só lhe trouxera aprendizado, pois pôde concluir também que a onda de Pipeline era um “Havaizinho da Ponte” quadruplicado, com o mesmo movimento e a mesma mecânica.” (Miguel Ângelo, diretor/head – judge da ACEAB e pioneiro da arbitragem cearense)

“O Rosa era um cara super focado no esporte como um todo. Ele sabia que não adiantaria nada somente o mesmo evoluir. Que era necessário a estruturação do BB como esporte e a presença de outros atletas tops no Ceará. Este é o tipo de pensamento dos grandes, dos atletas excepcionais”. (Gabriel Mesquita, primeiro presidente de fato da ABBC, pioneiro do bodyboarding cearense)

“Tecnicamente perfeito. Rosa dominava todos os estilos. Fácil adjetivá-lo. Porém, PIONEIRO, o traduziria melhor.” (Amadeu Júnior, ex-presidente da ACEAB)

“Era um atleta guerreiro, batalhador, 100% amizade! Um amigo!” (Orleans Acácio, ex-presidente da LCB (Liga Cearense de Bodyboarding)

“Rosa encantava todos que o viam surfar na Ponte Metálica ou em qualquer outro pico, era um gênio.” (Walderi Júnior, diretor/head – judge da ACEAB)

“Atleta humilde e batalhador que nunca abandonou sua terra. Talvez, por isso, não tenha conseguido alçar vôos maiores.” (Evans Botto, ex – árbitro de bodyboarding e amigo do Rosa)

“Uma das características do Rosa, era fazer a leitura do mar como ninguém, era muito difícil vê-lo perdido numa bateria.” (Ednardo Peixoto, ex – árbitro e locutor do circuito cearense)

“Nossa amizade começou por intermédio do Rogério Biola, vivemos um momento épico do bodyboarding cearense e conviver com um dos ícones do esporte que escolhemos é único, fomos amigos e irmãos, passamos poucas e boas, mas sempre com disposição para a próxima, sua partida prematura realmente nos deixou atônitos, mas nunca vou esquecer do grande amigo que abriu a porta de sua casa para mim e me colocou no meio de sua família como irmão, surfamos, trabalhamos, curtimos, brigamos, rimos e vivemos vários momentos, guardo com carinho tudo, das amizades construídas neste círculo, inclusive a tua, valeu mano pela oportunidade e espero q tenha contribuído da melhor maneira, mande um abraço a família dele, a tua e a todos os amigos do bodyboard cearense.” (Eduardo Porto, amigo e companheiro de treinos)

“Quando me mudei para Fortaleza, logo à noite fui conhecer a famosa Ponte Metálica e me surpreendi ao encontrar dois bodyboarders pegando ondas naquele horário. Permaneci olhando durante, aproximadamente, uma hora e quando um deles saiu do mar o amigo que me acompanhava me esclareceu que se tratava de Francisco Rosa. Daí em diante, sempre que o cara estava no mesmo pico, eu saia do mar para olhar o estilo dele, parecia uma conexão com a onda e até então não tinha visto nada parecido. Depois de um tempo, cheguei a tentar ajudá-lo na busca por patrocínios e para a revista que o mesmo agitava (EXTRA MAGAZINE), foi quando conheci o tamanho do seu coração. Foi um exemplo de amor ao esporte, e todo o respeito, como também amor, que tenho por aquele gago, tem muito haver com isso. Um fato engraçado com o Rosa foi quando o levei para fechar algo na agência do meu pai e os dois começaram a conversar, só que meu pai também era gago, foi muito hilário, ai o Rosa levantou e falou que meu pai estava tirando onda com ele, eu chorei de rir e esclareci que meu pai também era gago. Infelizmente, meu contato com ele foi muito curto, do nada recebi a noticia que abalou todo mundo, era muito gente surfando com uma pequena faixa preta na lycra, no short e até na prancha.  Mesmo com tão pouco tempo de convivência, tive o imenso prazer de conhecer o grande herói do esporte cearense, porque se temos gente ainda em movimento aqui é porque ele com alguns outros locais amaram tudo isso.” (Tom Santiago, presidente da FBCE (Federação de Bodyboarding do Ceará)

“Francisco Rosa, um ícone. Sua trajetória, embora muito curta, foi promissora. Um líder que nasceu para ser campeão. Deixou um grande acervo para o bodyboarding, e hoje, muitos atletas o têm como motivação e dedicação. Sua figura marcou uma era de ouro do bodyboarding. Só tenho elogios para falar desse eterno bodyboarder que enalteceu o Ceará, hoje conhecido nacionalmente e internacionalmente como celeiro de grande atletas.” (Francisco Chacon, presidente da ABBC)

“Falar de Francisco Rosa para mim é difícil, difícil porque ele sempre vai ser e é tudo que representou o bodyboarding no Brasil, o conheci menino, menino homem, divino, que teve seu nome no cenário brasileiro e mundial. Fazia uma manobra que ele era o único, e acompanhei a carreira dele desde cedo. Fui testemunha de sua luta, dos desafios, soube ser respeitado e querido, veio para mostrar que era muito bom em todos os quesitos, como atleta, ser humano, filho, amigo, soube estar e soube deixar seu recado. Tenho muito para falar dele, mas precisaria de vários dias. Fui patrocinadora, amiga, e através dele minha empresa construiu esse amor pelo bodyboarding.” (Neuma, proprietária da Cavalo Marinho que, ao lado de Raul Oliveira, realizaram os maiores campeonatos do nordeste da história do esporte)

“Falar de Francisco Rosa é uma história, tem que ter tempo e muita caneta e papel para escrever. O cara fez história no Brasil e no mundo, competiu etapa do mundial em Pipeline, vivi e morei com ele muitos anos ai na Praia de Iracema, além de viajar nas etapas do brasileiro. Ícone do bodyboarding, estrela do esporte, treinamos juntos na Ponte Metálica e no Lido. Estilo arrojado, fez muitos discípulos, se tornou referência, foi eleogiado por Kainoa Mcgee (mestre mundial do drop-knee) e sua história merece um livro.” (Beri Santana, presidente da ABBP – Associação de Bodyboarding de Piedade)

“Nós éramos muito amigos, eu, ele e o Rogério Biola. Tenho uma saudade imensa deste grande irmão que nunca esqueço. Que Deus preteja ela aonde estiver.” (Anderson Pinto, o “Gordinho”)

“Nós aqui do sul tínhamos o Francisco Rosa como o ícone do bodyboarding nordestino, mesmo sendo cearense. Uma pessoa modesta, simples e educada e com um potencial de surf de nível mundial. Era um diplomata bodyboarder do Brasil e do nordeste, foi realmente uma grande perda para o nosso esporte.” (Jarbas Soares, presidente da federação de Santa Catarina)

“Antes do Rosa e Biola, a visão que se tinha era a de que só quem poderia vencer os campeonatos eram os cariocas ou paulistas, devido as suas melhores condições de treino, nível de organização já existente (com associações bem organizadas), patrocínios, mídia especializada, etc. Acreditava-se que eles estavam anos-luz à frente dos outros estados da federação. Depois que a dupla cearense abalou as estruturas do esporte, percebeu-se que o abismo que dividia o país na verdade não existia e que, com disciplina e dedicação, muitos outros também conseguiriam seu lugar ao sol.” (George Noronha, editor esportivo do jornal Diário do Nordeste)

“15 anos parece muito, mas para quem vivenciou e dividiu as mesmas ondas da Ponte Metálica, parece ter sido ontem. Francisco Rosa, ou simplesmente ” Lio”, como alguns de nós chamavam-lhe, era a personificação do BB no pico. Sempre bem colocado e com forte personalidade, foi uma referência e hoje um ícone do esporte. Muito do que o BB é hoje, com certeza tem muito do que ele fez, escancarando as portas no Brasil e mundo afora. Não vou dizer aqui que era amigão dele, mas com certeza o tinha com respeito e uma certa admiração velada. RIP Rosa, que você libere umas ai quando eu chegar…auêra auára! (Marcelo Bibita, surfista contemporâneo do Rosa na Ponte Metálica)

“O bodyboarder cearense Francisco Rosa, um dos melhores atletas brasileiros até hoje, faleceu nesta quinta-feira (dia 25) à noite, vítima de pneumonia. Fatalidades da vida, um bodyboarder experiente, que surfava todos os dias, vivia no mar, morrer de pneumonia. Francisco Rosa tinha 32 anos e foi o primeiro nordestino a brilhar no cenário nacional. Fez várias finais no Circuito Brasileiro, sempre chegando nos campeonatos como favorito… Ontem, dia 25 de janeiro do primeiro ano do terceiro milênio, quando todos deveríamos estar ainda festejando o nascimento de uma nova era, estávamos chorando o desaparecimento deste nosso estimado e eterno amigo. Queria que todos pudessem lembrar dele como eu, pois ele significava ainda um pouco do que resta do bodyboarding como essência, amor, busca e integração.” (Fábio Maradei, para a Waves)

“Conheci o Francisco Rosa na minha primeira e única viagem que fiz ao Nordeste com o João, de São Pedro do Estoril, e o local Eduardo “Vaca”, como lhe chamavam os amigos no Nordeste. Posso dizer que o Rosa foi das pessoas mais interessantes no BB que conheci. Ele era super pobre, tinha uma família numerosa. Viviam todos juntos numa casa pequena perto do spot da Ponte Metálica onde ele era local. Rosa também era conhecido pela maioria dos atletas como um dos maiores talentos brasileiros quando o assunto era drop-knee.” (Dora Gomes)

“No nordeste, Francisco Rosa foi o mais importante precursor na década de 80 e 90, o esporte no nordeste até hoje deve todo seu crescimento ao Rosa, os resultados hoje em dia estão às vistas, hoje o nordeste abriga o atual campeão mundial Uri Valadão (BA), além de uma saga de atletas de ponta desbancando em todo o mundo. A EBI agradece: obrigado Rosa, o homem é eterno enquanto seu trabalho continua, Francisco Rosa VIVE!” (Blog da EBI – Escolinha de Bodyboarding do Icaraí)

Agradecimentos pela colaboração na construção desta matéria a toda ACEAB, mais principalmente, ao Paulo de Tarso “Mano”, por ter conseguido a maioria destes depoimentos; ao Amadeu Júnior, por também ter prestado várias informações e conseguido alguns depoimentos; e ao Evans Botto, por ter prestado valiosas informações históricas, além de ter me enviado várias imagens.

 

Fontes:

Revista Fluir Bodyboard;

Revista Style;

Jornal The Surf Press;

Revista Extra Magazine;

Revista Surf Trip;

Os bodyboards.com;

Blog Manobra Radical/jornal Diário do Nordeste;

http://waves.terra.com.br/

http://www.doragomes.com/

http://ebicarai.blogspot.com.br/

 

Fotos: primeira acima, Rosa com Mike Stewart, encontrada no blog da EBI. A terceira de Francisco Chagas e a outra de Basilio B. Ruy.

6 comentários

  1. Olá Marley tudo bem?

    Me chamo Elieser e achei seu blog muito bom. Principalmente essa postagem sobre Francisco Rosa. Sou suspeito pra falar pois sou seu irmão mais novo. Vou te mandar um e-mail para te passar mais algumas informações sobre esse mito, pode ser?

    Grande abraço!

  2. FRANCISCO ROSA, 15 ANOS DE SAUDADES, dia 24 de janeiro de 2016, 16h, na Ponte Metálica, em Fortaleza! – Azul Ponteira Vermelha! taekwondo!

    Rosa, que saudades, cara! Lembranças de toda a Sartori Taekwondo Association e de todos os amigos que tu deixou, no Taekwondo e os resultados surpreendentes no surf nordestino! Foi derramada uma calmaria perfumada por onde tu passou, irmão! Dá um abraço, aqui! O jeito gaguejado explicado mais charmoso do TKD de conversar, e do Surf – parecia um dos seres humanos mais fodas que eu ja vi, simples. Como os budistas almejam talvez, nao sei o que esse cara tinha, mas quando ele falava, tudo o mais em volta se abrandava. Seu tom de voz, suas idéias, sua visao nos esportes, nos movimentos corporais- NE – Brasil! – Dorzinha, hospital, 2 semanas e… O céu já tinha teu brilho, de repente, de novo! Só o Pai deve saber (da galera rara sem maldade que é sucesso social facil). Deus te tenha, raro amigo!! Sangue Bom! Eterno, amigo. Os anjos cedo se vão, mas nos veremos! We love you man!

  3. Também tive o prazer de conhecer e aprender com esse amigo, a alegria de surfar. Foi uma perda que deixou lembranças . Uma grande pessoa.

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