O SEGREDO CEARENSE

O resgate histórico que este blog vem fazendo, relativo ao bodyboarding cearense, no quesito competição, já me proporcionou várias análises detalhadas dos fatos, e numa delas cheguei a uma conclusão fundamental: a importância do bom julgamento.

Como podemos observar, nas matérias “OS PRIMÓRDIOS DO CEARÁ” e “OS ANOS 90 DO BB CEARENSE”, o Estado do Ceará, nas duas primeiras décadas de competições nacionais, alcançou à condição de segunda maior potência do país, ficando atrás somente do Rio de Janeiro, e isso devido à competitividade dos nossos atletas, reconhecida explicitamente pelos principais adversários, não por conta de boas estruturas para treinamento, bons equipamentos e grandes patrocinadores, já que sempre fomos esquecidos, quando não desprezados, principalmente, pelo simples fato de sermos nordestinos.

Essa competitividade dos nossos atletas, naqueles decênios, foi adquirida pelo bom julgamento, tratado com seriedade pelos dirigentes da época, prova disso foram os grandes resultados obtidos e o convite feito pela Abrasb (Associação Brasileira de Bodyboarding) ao nosso head-judge Paulo de Tarso, o “Mano”, que se tornou, com isso, o primeiro árbitro, oriundo do Nordeste, a integrar o único quadro fixo de arbitragem, de toda história do esporte nacional.

Os primeiros grandes resultados cearenses da década de 80, foram a 3ª colocação de Francisco Rosa no 2º International Bliss Competition (segundo evento internacional realizado no país), ocorrido na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, além dos oitavos lugares nos ranking’s nacionais dos anos de 1988 e 1989, de Rosa e Biola, respectivamente, todos alcançados na principal categoria, a profissional. Nos anos 90, logo na primeira temporada da década, depois do referido convite ao “Mano”, Francisco Rosa se tornou o primeiro “não-carioca” a vencer uma etapa de brasileiro, e para completar, esses dois cearenses terminaram entre os oito melhores do ranking nacional (Rosa 4º, Biola 6º), sem falar na amadora, onde Seikiti Shinmon terminou em sétimo. Em 1995, outro grande feito foi alcançado por um atleta cearense, logo após outro convite aceito por Paulo de Tarso que, com isso, se tornou também o primeiro árbitro, oriundo do Nordeste, a julgar um evento internacional: o cearense Melk Lopes, foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa de circuito mundial realizado no país. Ainda naquela década, finalmente chegamos ao topo na principal categoria do masculino, quando Roberto Bruno foi campeão brasileiro em 1998, se tornando o primeiro nordestino a atingir tal façanha.

Além de Paulo de Tarso, outros vários árbitros, oriundos deste estado, julgaram etapas do circuito brasileiro, como Miguel Ângelo, Régis Damasceno, Amadeu Júnior, Orleans Acácio, Rodrigo Silva e Walderi Júnior, ou seja, meus amigos, nossa arbitragem sempre teve muita força, como também pertenceu à “nata” nacional. Atualmente, a única organização de árbitros do país, de nível estadual, nossa Aceab (Associação Cearense dos Árbitros de Bodyboarding), tem no seu quadro técnico cinco árbitros que julgaram circuito brasileiro (Paulo de Tarso, Miguel Ângelo, Alison Torres, Rodrigo Silva e Walderi Júnior), e dois que participaram de mundiais (Paulo de Tarso e Alison Torres).

Na última etapa do circuito cearense, onde tivemos como head-judges, Paulo de Tarso e o pernambucano Alison Torres, ou seja, árbitros com experiências internacionais, aconteceram bons resultados que podemos creditar à competitividade adquirida por atletas de escolinhas que possuem como instrutores árbitros da Aceab, a GBB (Geração BodyBoard) e a EBP (Escolinha de Bodyboarding do Pecém). A primeira, do Caça e Pesca, e que tem como instrutor um dos melhores julgadores cearenses (Reginaldo Cabral), conquistou quatro categorias, sendo que as duas principais, além da amadora masculina e a iniciante. Já a outra escolinha, que tem à frente outro grande julgador da história da arbitragem nacional, Amadeu Júnior, ganhou a categoria estreante.

Entretanto, mesmo com o exemplo da última etapa realizada, e o recado dado pela história, a maioria dos atletas profissionais, principalmente, ainda não compreenderam essa importância, já que, no último curso para formação de novos árbitros, apenas três participaram como ouvintes: Patrícia Setúbal, Fábio Rodrigues e Diego Gomes. Considerando esse comportamento dos atuais atletas profissionais, logo chegaremos ao motivo da desvalorização da nossa arbitragem, mas como tudo tem consequência, aqueles grandes resultados do passado não se repetiram no presente, levando em conta que Isabela Sousa foi a única que fez a diferença, mas que começou a conquistar seus grandes resultados depois que contratou um head-judge cearense (Orleans Acácio) para lhe servir como técnico.

Não devemos transformar nossos árbitros em técnicos, individualizando essas contribuições, mas valorizá-los ao ponto de recebermos esses apoios nas nossas várias escolinhas, pois são projetos que já estão dando frutos e que poderão nos trazer os grandes resultados nacionais e internacionais que alcançamos coletivamente no passado.  

 

 

 

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