ETERNA ESTRELA CEARENSE

Um dos maiores atletas que o Estado do Ceará possuiu, mas com certeza o primeiro de todos, e que também por isso devemos eterna gratidão, foi, sem sombra de dúvida, Francisco Martins Rosa, o resiliente Francisco Rosa, conhecido pelos mais próximos por “Lio”. Morador da famosa “Rua do Bagaço”, antiga Travessa Aracoiaba (hoje Rua Ademar Arruda), na Praia de Iracema, e de família grande, ele foi um dos “surfistas de madeirite” da famosa Ponte Metálica, na década de 80 (oitenta), mas principalmente, um extraordinário atleta que, com suas conquistas, elevou no mundo o nome do bodyboarding cearense, deixando assim uma herança imensurável.  

Logo no primeiro circuito cearense, em 1986, quando o mesmo era realizado pela associação cearense de surf, nosso biografado foi o campeão da temporada. No ano seguinte, com a criação da nossa primeira entidade, a ABBC (Associação de Bodyboarding do Ceará), Rosa foi o responsável pela organização do segundo evento dela, um dos Contest’s, mas também dirigiu o informativo da organização. Com a implementação do primeiro circuito brasileiro de surf da história, e a inclusão do nosso esporte para demonstração, por ser considerado, na época, oriundo daquele, apareceu a oportunidade do nosso atleta se destacar nacionalmente, e ele não desperdiçou. Na penúltima e única etapa nordestina do certame, acontecida em Stella Maris, Salvador/BA, num evento denominado Fico Surf Festival, Rosa apareceu para o país, juntamente com outros dois cearenses, Rogério “Biola” e “Bira Teixeira”, dando início a uma trajetória de grandes conquistas.

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Em 1988, começou terminando em sétimo na primeira Copa Cavalo Marinho, realizada na Taíba, após desclassificação pelo cometimento de interferência, deixando torcida indignada, tendo em vista que vinha atropelando todos na bateria. Depois do registro da ABBC e o início do estadual, Rosa conquistou o vice-campeonato cearense, ficando atrás do seu principal rival, Rogério “Biola”, ganhando a segunda etapa, de um total de quatro. Já naquela temporada, ano do primeiro campeonato brasileiro de bodyboarding, “Lio” foi o único nordestino entre os oito melhores do ranking final, atrás somente de cariocas. No período subsequente, logo no mês de janeiro, foi a vez do mundo lhe conhecer quando se encontrava na Barra da Tijuca/RJ, após sua subida ao pódio no segundo evento internacional no país, o histórico 2º International Bliss Competition, dividindo a terceira colocação com o carioca Carlos Siqueira, depois de executar nas quartas um belíssimo rollo de drop-knee. Com isso, Rosa foi o primeiro nordestino a realizar tal façanha, tendo perdido apenas para o melhor brasileiro no circuito mundial daquele ano, o finado carioca Alexandre de Pontes, e para o maior de todos os tempos, o havaiano Mike Stewart, até então tetracampeão mundial. Dois meses depois, ele voltou a fazer história e ganhou pela primeira vez a 2ª Copa Cavalo Marinho, ocorrida novamente na Taíba, vencendo na final o até então primeiro e único campeão brasileiro, o carioca Paulo Esteves. No estadual, “Lio” ganhou a primeira etapa e conquistou seu segundo título cearense, o primeiro pela ABBC.

No primeiro ano da década seguinte, ele se tornou bicampeão da Copa Cavalo Marinho, ao vencer a terceira edição, que diferente das duas primeiras, aconteceu na Praia do Futuro, ficando à frente, inclusive, do Alexandre de Pontes, na época o melhor brasileiro no circuito mundial. No estadual, Rosa venceu apenas a terceira etapa, mas no Brasileiro fez história, ao se tornar o primeiro “não-carioca” a conquistar uma etapa, fato ocorrido na segunda disputa, em Guarujá/SP. Com outras duas quintas colocações nos dois últimos combates, ele terminou temporada como o quarto melhor do país, sendo superado somente pelos cariocas Paulo Esteves, Marcelo Siqueira e Guilherme Tâmega, respectivamente. E por fim, ainda naquele período, foi incluído em matéria da conceituada revista californiana “Bodyboarding”, como um dos dez melhores atletas do país, o único nordestino. Na temporada seguinte, começou vencendo, mas foi a hilariante corrida de pés-de-pato da quarta Copa Cavalo Marinho, ocorrida no mês de março na Praia do Futuro, já que dentro do mar foi eliminado precocemente, devido cometimento de interferência. No mês subsequente dessa competição, ele e “Biola” foram para dois eventos internacionais na Austrália, mas devido problemas de comunicação, acabaram não participando. Em maio, os dois caíram na segunda etapa do Carioca e se deram bem: Biola terminou em quinto e Rosa em segundo, mas fazendo uma emocionante final contra Tâmega. Em junho, também foi vice na primeira etapa do estadual, e pouco depois, acabou em quinto na inaugural Copa Cavalo Marinho Alagoana, acontecida na Praia do Francês. Em agosto, venceu a segunda etapa do estadual, e com a segunda colocação na quinta fase, conquistou seu tricampeonato cearense, o segundo pela ABBC.

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Em 1992, ano de crise no Estadual, por conta da perda de grande patrocinador e a realização de apenas uma etapa, Rosa alcançou seu tetracampeonato cearense, mas essa vitória também lhe ajudou a conquistar o inaugural circuito nordestino, já que ela serviu como a primeira etapa do regional. Ainda naquele ano, ele venceu, pela segunda vez, evento noturno da ABPI (Associação de Bodyboarding da Praia de Iracema) com prioridade para o Drop-Knee, deixando explícito sua superioridade, nível reconhecido até por Kainoa Mcgee (havaiano mestre mundial no estilo). No período subsequente, começou subindo ao pódio na primeira etapa do estadual, ocorrida no mês de maio, com o terceiro posto, e venceu as duas seguintes, levando também a “expression session” da segunda fase. Mas sua maior vitória, externada pelo próprio na quinquagésima sexta edição do jornal The Surf Press, foi a primeira disputa do Brasileiro daquele ano, ocorrida em Maracaipe/PE, sua segunda na história, pois além de ter vencido na final o tricampeão carioca Marcelo Siqueira, derrotou na semi o campeão brasileiro amador Fábio Aquino, e nas quartas o grande Guilherme Tâmega, que veio a se tornar o maior bodyboarder brasileiro de todos os tempos. Rosa encerrou temporada como hexacampeão cearense, devido conquista de duas categorias, e como quarto melhor do país após terminar em quinto na última etapa do circuito brasileiro.

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Em 1994, seu primeiro grande resultado foi a vitória na etapa inicial do segundo regional da história, acontecida em Ponta Negra, Natal/RN, circuito que acabou conquistando, se tornando assim bicampeão nordestino. No estadual, mesmo sendo eliminado precocemente na 1ª fase da 1ª etapa, Rosa conseguiu bons resultados nas outras, inclusive um quarto lugar na última, o que lhe garantiu mais dois títulos (pro e pro/am), alcançando sua oitava conquista cearense. No campeonato nacional, não foi bem, mas subiu ao pódio na fase pernambucana, a segunda do certame, dividindo a terceira colocação com Melk Lopes. No ano seguinte, foi vice-campeão na terceira etapa do estadual, acontecida no Icaraí, e acabou em 33º na primeira etapa de mundial no país, a mesma conquistada pelo “Moreno”. Temporada foi importante porque, juntamente com “Biola”, criou a OBP (Organização dos Bodyboarders Profissionais), organização que realizou, por vários anos, circuitos paralelos ao estadual, visando surgimento de novos atletas na categoria.

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Após mudança para o Havaí em 1996, do seu principal rival e parceiro Rogério “Biola”, no período subsequente “Lio” realizou o segundo evento noturno da história do bodyboarding cearense, o Prevcon Pró-Night, e dois meses depois, mais precisamente de 23 a 25 de maio, em Maracaípe/PE, ele conquistou sua terceira etapa de circuito brasileiro, vencendo na final outros dois cearenses, Roberto Bruno (2º) e Gustavo Tavares, que dividiu a terceira colocação com o sergipano Alberto Gama. No ano do nosso primeiro título nacional, obtido pelo Roberto Bruno, Rosa ganhou seu último grande troféu, ao vencer sua quarta etapa de campeonato brasileiro, desta feita na Praia do Francês, em Maceió/AL.

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Antes de falecer, precocemente, nesta capital cearense, no dia 25 de janeiro de 2001, com 31 (trinta e um) anos de idade, vítima de pneumonia, segundo fontes na internet, nosso biografado teve a felicidade de realizar sonho de se tornar capa de revista, com a publicação da décima nona edição da Style, numa imagem feita por Clemente Coutinho num dos tubos da Cacimba do Padre, em Noronha, sentimento externado para Vânia Ramos, editora do último veículo de comunicação que dirigiu (Extra Magazine).

“Lio” já foi homenageado três vezes, duas delas no pico berço do bodyboarding cearense, mas a maior de todas acontecerá no começo do próximo ano, com a realização do Circuito Master Vip Francisco Rosa, o primeiro do tipo na história, tendo em vista dedicação carinhosa do idealizador, organizador e diretor do projeto, um dos seus inúmeros fãs, conhecido por todos pelo epíteto de “Mano”.

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Abaixo, diversos depoimentos…

“O conheci na Praia de Iracema, quando vim morar na Rua Aracoiaba, conhecida na época como Rua do Bagaço (maiores detalhes no meu futuro livro). Nunca pensei que fosse sentir tanta saudade daquele gago véi…rs, era assim como o chamava, quando queria frescar e o deixava muito irritado. Até isso sinto falta meus amigos. Éramos companheiros de jornadas nas estradas da vida, estrada que Deus nos colocou juntos para a missão. O Rosa era um cara muito determinando e, quando ele falava que ia ganhar a competição, ele ganhava, e ninguém era páreo, o mesmo era quase imbatível. Lembro do nosso primeiro campeonato fora do estado do Ceará, na Parnaíba, num pico muito massa conhecido por ‘Pedra do Sal’. Quando chegamos na rodoviária da Parnaíba, cansados da viagem, sentamos para esperar o pessoal da organização que iria nos levar até o local do evento, foi quando ele olhou pra mim e falou, com aquele jeito bem sério: vou ganhar esse campeonato. O desgraçado num ganhou galera…kkkk. O Rosa surfava muito, o seu free-surf era único. Ver o Rosa surfando no havaizinho, meus brothers, era coisa de louco, muita massa meus irmãos, o cara entubava como ninguém, parecia que a onda e ele combinavam antes. Ele se colocava e a onda só o cobria, com aquele tubo perfeito. Saudades Chico Rosa!!! Às vezes, nos encontramos nos meus  sonhos. O meu espírito vai até onde se encontra e nos falamos sempre. Uma vez, até surfamos juntos como fazíamos, foi muito massa como sempre foi. Por tudo que ele fez, em prol do bodyboarding cearense, o mínimo que podemos fazer para ele agora é orar, para que seu espírito continue crescendo nas esferas do mundo espiritual e sua evolução seja eterna. Agente se vê, Lio, se Deus quiser, But net yet…rsrsrs. Muita Paz meu amigo aonde esteja!!!!!!!! (Rogério Biola, pioneiro do bodyboarding cearense, primeiro campeão estadual com a ABBC, e parceiro das competições pelo país)

“Como não ver o pôr do sol na Ponte e observar aéreos e drop-knee’s de Rosa? A história de origem e crescimento do bodyboarding cearense e nordestino a nível brasileiro sempre terá o nome de Francisco Rosa”. (Bira Teixeira, pioneiro do bodyboarding cearense, campeão cearense 1987, e parceiro das competições pelo país, juntamente também com Biola)

Francisco Rosa, foi o maior protagonista do bodyboard nordestino! Quando ainda não havia a mídia social, celular ou qualquer meio de comunicação que desvendasse com velocidade o que estava acontecendo no esporte, o tímido cearense de surf impecável e radical, despontou no cenário nacional, no Fico Surf Festival, na Bahia. Rosa quebrou a hegemonia do eixo Rio-SP, e chamou a atenção do BB nordestino, em especial o do Ceará. Arranjou uma disputa ferrenha nas competições com todos nós, mas nos brindou com seu DK incrível, o melhor do bb! E, acima de tudo, nosso respeito, admiração e amizade ao longo dos anos que convivemos! Aloha! (Marcus Cal Kung, o grande pioneiro do bodyboarding nacional)

“Acho que vai ficar na memória de muitos bodyboarders, o lutador que foi o Rosa. E o surfe que ele adquiriu aqui na Ponte Metálica foi algo que se espalhou no mundo”. (Guilherme Tâmega, hexacampeão mundial, na última visita à Fortaleza)

“Francisco Rosa era o nosso grande cicerone de todos os atletas quando íamos ao nordeste para competir, o melhor atleta de todos os tempos em estilo e inovação, por surfar também de drop-knee. Gente fina demais, simples e humilde, além de ser um grande campeão. Todos os atletas do Brasil sempre tiveram um respeito grandioso por ele”. (Neymara Carvalho, pentacampeã mundial)

“Francisco Rosa was someone that found the courage to folowed his heart and strived for his dreams, on example for all to folow. May God bless him.” [Francisco Rosa era alguém que teve a coragem de seguir seu coração e lutou por seus sonhos, um exemplo que todos devem seguir. Que Deus o abençoe]”. (Mike Stewart, 9X campeão mundial, 11X campeão de Pipeline)

“De personalidade simples e humilde, Francisco Rosa foi uma referência! O primeiro bodyboarder nordestino que chegou incomodando a hegemonia da região sudeste, especialmente o Rio de Janeiro, que na época tinha os melhores atletas. Dentro d’água ,um surf completo e radical. Surfava muito deitado ou de drop-knee, aliás o melhor drop-knee brasileiro da época. Sua ausência fez e faz muita falta para o bodyboarding brasileiro!” (Cláudio Marques, big rider carioca, pertenceu a mesma equipe patrocinadora do Rosa)

“É até hoje uma das maiores referências do bodyboarding! Abriu as portas para os atletas nordestinos no cenário nacional e deixou um legado enorme! Quem o conheceu sente e sentirá sempre saudades do nosso ETERNO FRANCISCO ROSA! R.I.P.!! (Roberto Bruno, cearense pentacampeão brasileiro)

“Um precursor no bodyboarding. Sempre que podia dava força a mim e a categoria feminina, pois achava que existiam poucas mulheres surfando. Ele foi tudo, alguém sempre disposto a ajudar, que sempre me dava dicas de como me dar bem no mar e na vida”. (Patrícia Helena, bicampeã cearense profissional na década passada)

“Francisco Rosa sempre foi um atleta fenomenal. Inspiração para toda a nova geração. Suas manobras e linha na onda me impressionaram. Rosa foi e ainda é referência do bodyboarding brasileiro. Aloha!” (Fábio Aquino, carioca campeão brasileiro amador)

“Inspiração de vários atletas, surfava com uma maestria de encher os olhos. Parecia ser tudo tão fácil. Sentimos sua falta, “Lio”, mais nunca será esquecido. Amém”. (Seikiti Shinmon, bicampeão cearense em 1990)

“Como poder pensar que já faz 15 anos que Francisco Rosa faleceu. E de como ele escreveu a história do bodyboarding por onde passou. O “Cara de Gato”, mestre do estilo e da plástica. De fazer parecer fácil o que era difícil em uma linha de onda. Onde o politicamente correto nunca existiu e rompeu todas as barreiras do preconceito e discriminação. Influência de gerações e um divisor de águas dentro de tudo que se pode falar de referência. Uma perda para todos, principalmente para quem conviveu, competiu e compartilhou momentos dentro e fora d’água. Um profissional no real sentido da palavra. Tenho 2 momentos distintos, inesquecíveis. A caminhada pelo calçadão de Copacabana, depois de dormir na casa do Sebastian Gomes (Tião), junto com Biola, para surfar o Posto 5 com altas ondas, com a resenha e as brincadeiras de uma galera que, se metade dos profissionais do Brasil fossem que nem eles, talvez a nossa história do esporte teria sido diferente. Outro momento, talvez uma das mais épicas baterias de todos os tempos dentro de um evento nacional, a final de Guilherme Tâmega e Francisco Rosa na Barra da Tijuca, onde a menor nota foi um 9,3 do Francisco Rosa. Os 2 tinham notas 10,0 (naquela época se somavam as 3 melhores).O GT tinha 10, 9.8 e 9.7. O Rosa tinha 10, 9.7 e 9.3. A cada onda os dois se encontravam, batiam as mãos e brincavam dentro d água, como grandes amigos, profissionais e conscientes do que significavam e tinham que fazer. Um dos grandes momentos da minha vida dentro de uma torre de juízes. Diziam que ele era merrequeiro, só pegava para a esquerda, mas o que ele fazia para o lado esquerdo assustava o suficiente que ele nem precisava do outro lado. Diziam que Garrincha tinha o mesmo drible, só para um lado e que era sempre igual. Mas era perfeito, insubstituível. Gênio e anjo de pernas tortas. O Rosa foi um gênio no que fez. O que fez foi o suficiente para deixar sua marca para sempre. Foi o nosso “Gênio e Anjo de Pernas Tortas”. Saudade sempre meu amigo. Obrigado a todos por manterem viva a memória do Rosa. Vai merecer hoje e sempre enquanto houver bodyboarding.Um grande abraço a todos”. (Chico Garritano, brasileiro head – judge do circuito mundial / Managing Director of A.P.B. Events / A.P.B. Latin America Director / ISA/APB  Head Judge / Pan American Surfing Association Head Judge)

“Quando o amigo Paulo de Tarso, o Mano, me pediu para escrever sobre o Francisco Rosa, me senti honrado. O difícil é ser breve com tanta coisa para falar sobre ele. Dizer que ele foi um ícone do bodyboarding cearense e nordestino seria pouco para seus feitos…ele foi um dos bodyboarders mais talentosos e radicais que já conheci na minha vida. Influenciou a sua geração e continua influenciando as futuras. Guerreiro, amigo, humilde, engraçado e, acima de tudo, um grande campeão que impressionou e fez história no Brasil, de norte a sul! Pra sempre FRANCISCO ROSA!” (Bruno Calheiros, ex- head – judge do circuito brasileiro e mundial, além de primeiro presidente da Associação Mundial dos Árbitros)

“Francisco Rosa aprendeu o caminho da competição, se espelhou nos melhores e, junto dele, sempre esteve alegria, descontração, com foco em seus objetivos que o fez um grande vencedor. O vencedor muitas vezes não tem um grande título, mas ganhou muito pelo que conseguiu transmitir às gerações futuras”. (Mauro Achiame, conhecido por Mauro Rabelé, paulista ex-head-judge do circuito brasileiro de bodyboarding)

“Francisco Rosa representou o pioneirismo do bodyboarding cearense e eternizou seu nome historicamente, tudo através de seu talento inconfundível na onda, e foi o principal responsável pelo ingresso do estado do Ceará no cenário nacional”. (Paulo de Tarso, o “Mano”, pioneiro da arbitragem cearense, primeiro presidente legal da ABBC – Associação de Bodyboarding do Ceará e atualmente presidente da ACEAB – Associação Cearense dos Árbitros de Bodyboarding)

“Conheci Rosa no Havaizinho da Ponte Metálica, durante um surf, após chegar do Rio de Janeiro, no começo da década de 80. Nos tornamos grandes amigos, conheci toda sua família e gosto muito de todos. Rosa sempre foi uma pessoa voltada para o futuro e visualizou uma postura profissional que passou a praticar quando ninguém na região nordeste tinha noção dessa importância. A grande decepção dele foi a primeira viagem para o Havai, em 1989. Na verdade ele não considerou decepção, o fato de ter amarelado em Pipeline, pois encontrou um swell de norte, totalmente esquisito. “Porra Miguel, quando cheguei na praia, que pisei na areia, o chão tremia, eram as ondas de Pipe quebrando, foi minha primeira viagem internacional e peguei um swell cabuloso, atravessado na bancada, aquilo era vida ou morte”. Semana anterior havia morrido um surfista e Rosa ficou cabreiro, como eu também teria ficado. Humildemente, reconheceu que precisava de mais temporadas no Havai, e que aquela experiência só lhe trouxera aprendizado, pois pôde concluir também que a onda de Pipeline era um “Havaizinho da Ponte” quadruplicado, com o mesmo movimento e a mesma mecânica”. (Miguel Ângelo, diretor/head – judge da ACEAB e pioneiro da arbitragem cearense)

“O Rosa era um cara super focado no esporte como um todo. Ele sabia que não adiantaria nada somente o mesmo evoluir. Que era necessário a estruturação do BB como esporte e a presença de outros atletas tops no Ceará. Este é o tipo de pensamento dos grandes, dos atletas excepcionais”. (Gabriel Mesquita, primeiro presidente de fato da ABBC, pioneiro do bodyboarding cearense)

“Tecnicamente perfeito. Rosa dominava todos os estilos. Fácil adjetivá-lo. Porém, PIONEIRO, o traduziria melhor”. (Amadeu Júnior, ex-presidente da ACEAB)

“Era um atleta guerreiro, batalhador, 100% amizade! Um amigo!” (Orleans Acácio, ex-presidente da LCB (Liga Cearense de Bodyboarding)

“Rosa encantava todos que o viam surfar na Ponte Metálica ou em qualquer outro pico, era um gênio”. (Walderi Júnior, head – judge da ACEAB)

“Atleta humilde e batalhador que nunca abandonou sua terra. Talvez, por isso, não tenha conseguido alçar vôos maiores”. (Evans Botto, ex – árbitro da ABBC)

“Uma das características do Rosa, era fazer a leitura do mar como ninguém, era muito difícil vê-lo perdido numa bateria”. (Ednardo Peixoto, ex – árbitro da ABBC e locutor da ACEAB)

“Nossa amizade começou por intermédio do Rogério Biola, vivemos um momento épico do bodyboarding cearense e conviver com um dos ícones do esporte que escolhemos é único, fomos amigos e irmãos, passamos poucas e boas, mas sempre com disposição para a próxima, sua partida prematura realmente nos deixou atônitos, mas nunca vou esquecer do grande amigo que abriu a porta de sua casa para mim e me colocou no meio de sua família como irmão, surfamos, trabalhamos, curtimos, brigamos, rimos e vivemos vários momentos, guardo com carinho tudo, das amizades construídas neste círculo, inclusive a tua, valeu mano pela oportunidade e espero q tenha contribuído da melhor maneira, mande um abraço a família dele, a tua e a todos os amigos do bodyboard cearense”. (Eduardo Porto, amigo e companheiro de treinos)

“Quando me mudei para Fortaleza, logo à noite fui conhecer a famosa Ponte Metálica e me surpreendi ao encontrar dois bodyboarders pegando ondas naquele horário. Permaneci olhando durante, aproximadamente, uma hora e quando um deles saiu do mar o amigo que me acompanhava me esclareceu que se tratava de Francisco Rosa. Daí em diante, sempre que o cara estava no mesmo pico, eu saia do mar para olhar o estilo dele, parecia uma conexão com a onda e até então não tinha visto nada parecido. Depois de um tempo, cheguei a tentar ajudá-lo na busca por patrocínios e para a revista que o mesmo agitava (EXTRA MAGAZINE), foi quando conheci o tamanho do seu coração. Foi um exemplo de amor ao esporte, e todo o respeito, como também amor, que tenho por aquele gago, tem muito haver com isso. Um fato engraçado com o Rosa foi quando o levei para fechar algo na agência do meu pai e os dois começaram a conversar, só que meu pai também era gago, foi muito hilário, aí o Rosa levantou e falou que meu pai estava tirando onda com ele, eu chorei de rir e esclareci que meu pai também era gago. Infelizmente, meu contato com ele foi muito curto, do nada recebi a notícia que abalou todo mundo, era muito gente surfando com uma pequena faixa preta na lycra, no short e até na prancha.  Mesmo com tão pouco tempo de convivência, tive o imenso prazer de conhecer o grande herói do esporte cearense, porque se temos gente ainda em movimento aqui é porque ele com alguns outros locais amaram tudo isso”. (Tom Santiago, ex-presidente da FBCE (Federação de Bodyboarding do Ceará)

“Francisco Rosa, um ícone. Sua trajetória, embora muito curta, foi promissora. Um líder que nasceu para ser campeão. Deixou um grande acervo para o bodyboarding, e hoje, muitos atletas o têm como motivação e dedicação. Sua figura marcou uma era de ouro do bodyboarding. Só tenho elogios para falar desse eterno bodyboarder que enalteceu o Ceará, hoje conhecido nacionalmente e internacionalmente como celeiro de grande atletas”. (Francisco Chacon, presidente da ABBC)

“Falar de Francisco Rosa para mim é difícil, difícil porque ele sempre vai ser e é tudo que representou o bodyboarding no Brasil, o conheci menino, menino homem, divino, que teve seu nome no cenário brasileiro e mundial. Fazia uma manobra que ele era o único, e acompanhei a carreira dele desde cedo. Fui testemunha de sua luta, dos desafios, soube ser respeitado e querido, veio para mostrar que era muito bom em todos os quesitos, como atleta, ser humano, filho, amigo, soube estar e soube deixar seu recado. Tenho muito para falar dele, mas precisaria de vários dias. Fui patrocinadora, amiga, e através dele minha empresa construiu esse amor pelo bodyboarding”. (Teresa Neuma, proprietária da Cavalo Marinho que, ao lado de Raul Oliveira, realizaram os maiores campeonatos do nordeste da história do esporte)

“Falar de Francisco Rosa é uma história, tem que ter tempo e muita caneta e papel para escrever. O cara fez história no Brasil e no mundo, competiu etapa do mundial em Pipeline, vivi e morei com ele muitos anos aí na Praia de Iracema, além de viajar nas etapas do brasileiro. Ícone do bodyboarding, estrela do esporte, treinamos juntos na Ponte Metálica e no Lido. Estilo arrojado, fez muitos discípulos, se tornou referência, foi eleogiado por Kainoa Mcgee (mestre mundial do drop-knee) e sua história merece um livro”. (Beri Santana, presidente da ABBP – Associação de Bodyboarding de Piedade)

“Nós éramos muito amigos, eu, ele e o Rogério Biola. Tenho uma saudade imensa deste grande irmão que nunca esqueço. Que Deus proteja ele aonde estiver”. (Anderson Pinto, o “Gordinho”)

“Nós aqui do sul tínhamos o Francisco Rosa como o ícone do bodyboarding nordestino, mesmo sendo cearense. Uma pessoa modesta, simples e educada e com um potencial de surf de nível mundial. Era um diplomata bodyboarder do Brasil e do nordeste, foi realmente uma grande perda para o nosso esporte”. (Jarbas Soares, presidente da federação de Santa Catarina)

“Antes do Rosa e Biola, a visão que se tinha era a de que só quem poderia vencer os campeonatos eram os cariocas ou paulistas, devido as suas melhores condições de treino, nível de organização já existente (com associações bem organizadas), patrocínios, mídia especializada, etc. Acreditava-se que eles estavam anos-luz à frente dos outros estados da federação. Depois que a dupla cearense abalou as estruturas do esporte, percebeu-se que o abismo que dividia o país na verdade não existia e que, com disciplina e dedicação, muitos outros também conseguiriam seu lugar ao sol.” (George Noronha, editor esportivo do jornal Diário do Nordeste)

“15 anos parece muito, mas para quem vivenciou e dividiu as mesmas ondas da Ponte Metálica, parece ter sido ontem. Francisco Rosa, ou simplesmente ” Lio”, como alguns de nós chamavam-lhe, era a personificação do BB no pico. Sempre bem colocado e com forte personalidade, foi uma referência e hoje um ícone do esporte. Muito do que o BB é hoje, com certeza tem muito do que ele fez, escancarando as portas no Brasil e mundo afora. Não vou dizer aqui que era amigão dele, mas com certeza o tinha com respeito e uma certa admiração velada. RIP Rosa, que você libere umas ai quando eu chegar…auêra auára! (Marcelo Bibita, surfista contemporâneo do Rosa na Ponte Metálica)

“O bodyboarder cearense Francisco Rosa, um dos melhores atletas brasileiros até hoje, faleceu nesta quinta-feira (dia 25) à noite, vítima de pneumonia. Fatalidades da vida, um bodyboarder experiente, que surfava todos os dias, vivia no mar, morrer de pneumonia. Francisco Rosa tinha 32 anos e foi o primeiro nordestino a brilhar no cenário nacional. Fez várias finais no Circuito Brasileiro, sempre chegando nos campeonatos como favorito… Ontem, dia 25 de janeiro do primeiro ano do terceiro milênio, quando todos deveríamos estar ainda festejando o nascimento de uma nova era, estávamos chorando o desaparecimento deste nosso estimado e eterno amigo. Queria que todos pudessem lembrar dele como eu, pois ele significava ainda um pouco do que resta do bodyboarding como essência, amor, busca e integração”. (Fábio Maradei, para a Waves)

“Conheci o Francisco Rosa na minha primeira e única viagem que fiz ao Nordeste com o João, de São Pedro do Estoril, e o local Eduardo “Vaca”, como lhe chamavam os amigos no Nordeste. Posso dizer que o Rosa foi das pessoas mais interessantes no BB que conheci. Ele era super pobre, tinha uma família numerosa. Viviam todos juntos numa casa pequena perto do spot da Ponte Metálica onde ele era local. Rosa também era conhecido pela maioria dos atletas como um dos maiores talentos brasileiros quando o assunto era drop-knee.” (Dora Gomes)

“No Nordeste, Francisco Rosa foi o mais importante precursor na década de 80 e 90, o esporte no nordeste até hoje deve todo seu crescimento ao Rosa, os resultados hoje em dia estão às vistas, hoje o nordeste abriga o atual campeão mundial Uri Valadão (BA), além de uma saga de atletas de ponta desbancando em todo o mundo. A EBI agradece: obrigado Rosa, o homem é eterno enquanto seu trabalho continua, Francisco Rosa VIVE!” (Blog da EBI – Escolinha de Bodyboarding do Icaraí)

Foto de capa: Revista Extra Magazine

Fotos diversas: Clemente Coutinho, Basílio B. Ruy, Francisco Chagas e Raul Oliveira.

Fontes:

Informativo da Associação de Surf do Ceará;

Informativo da Associação de Surf de Fortaleza;

Informativo da ABBC;

Jornal Ação Bodyboarding;

Jornal Rollo!;

Jornal Instant;

Revista Fluir Bodyboard;

Revista Style;

Jornal The Surf Press;

Revista Extra Magazine;

Revista Surf Trip;

Os bodyboards.com;

Blog Manobra Radical/jornal Diário do Nordeste;

Waves

doragomes.com

ebicarai.blogspot.com.br

 

 

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