DO LEME PARA FORTAL

Assumidamente um atleta cearense, apesar da origem carioca, o biografado da vez foi campeão nordestino, três vezes vice estadual, vice do primeiro circuito local da OBP (Organização dos Bodyboaders Profissionais) e, recentemente, faturou a primeira etapa do inédito certame máster alencarino.

Gustavo Tavares, hoje com 42 (quarenta e dois) anos de idade, estreou no bodyboarding com uma Aussie II, em 25 de dezembro de 1985, na praia do Leme, no Rio de Janeiro, pico berço do esporte no país, juntamente com seus outros dois irmãos bodyboarders e importantíssimos para o estado. Patrícia Tavares (a irmã “do meio”), chegou a ganhar a quarta e última etapa do estadual de 1990, terminando em terceiro no ranking feminino da temporada, e encerrou participação no bodyboarding cearense como somadora numa passagem fugaz na principal entidade local. Já Alexandre, o mais velho entre eles, foi árbitro relevante da mesma entidade, mas também o fundador da primeira federação. Além disso, ele e seus irmãos sempre tiveram o incentivo da mãe, Dona Marinete Tavares, mesmo tendo sido ela aquela que exigiu que os três se desfizessem da primeira prancha de surf que ganharam do pai, devido corte sofrido pelo biografado nas quilhas, na primeira onda surfada aqui em Fortaleza, fato ocorrido antes do natal de 1985.

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O primeiro bodyboarder que viu arrebentando nas ondas da capital cearense, numa Mach 7.7, foi Jorge Rebouças, o “Magoo” (vice-campeão cearense amador júnior 1988), fato que recorda ter se repetido outras três vezes, entretanto, por incrível que pareça, só o conheceu diretamente durante cruzada do seu último título, no começo deste mês. Quanto à eterna estrela cearense, Francisco Rosa, apesar de ter visto-lhe pela primeira vez no famoso Fico Surf Festival de 1987, na praia de Stella Maris, em Salvador/BA, onde o mesmo se tornou conhecido no país devido performance, pessoalmente isso só aconteceu depois da sua primeira competição, em 1989.

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A primeira vez que competiu, foi num intercolegial do colégio Farias Brito e obteve a terceira colocação, tendo sido julgado pelos três maiores dirigentes e árbitros estaduais da época, Paulo de Tarso, Miguel Ângelo e Ednardo Peixoto, convidados para tal pelo seu irmão mais velho, Alexandre Tavares, que acabou sendo inserido no quadro técnico da nossa primeira entidade, a ABBC. A segunda vez, foi na 1ª etapa do circuito da ABPI (Associação de Bodyboarding da Praia de Iracema), em 1990, disputa ocorrida dias 3 e 4 de março, na Ponte Metálica. No mês seguinte, mais precisamente de 12 a 15, caiu na 3ª Copa Cavalo Marinho, defronte barraca América do Sol, na Praia do Futuro, terminando em quinto na estreante. Uma semana depois, na 2ª etapa do circuito da Praia de Iracema acontecida no Lido, conseguiu um vice-campeonato já na categoria amadora júnior. Estreou no estadual ainda naquele ano, pontualmente na 2ª etapa, e em duas categorias (amadora júnior e pro/am), tendo chegado à final na principal, onde acabou perdendo para o campeão estadual daquela temporada, Seikiti Shinmon. Voltou a fazer bonito no final de semana subsequente, na 3ª etapa do Cearense, realizada dias 28 e 29 de julho, no Icaraí, pois terminou em terceiro, juntamente com Rogério Biola, após perder novamente para Shinmon. Com esses resultados, já no seu primeiro ano no estadual, terminou em terceiro no ranking final da pro/am, mas também em quarto na amadora júnior.

Em 1991, começou dividindo a quinta colocação na principal categoria da 4ª Copa Cavalo Marinho, ocorrida de 28 a 31 de março, na PF, defronte barraca Biruta, com o até então bicampeão cearense profissional, Rogério Biola (88/90), e o até então carioca bicampeão brasileiro, Paulo Esteves (88/90). Dias 1 e 2 de junho, na mesma praia, venceu a pro/am da primeira etapa do estadual, numa final contra Francisco Rosa. No começo de agosto, o finado lhe deu o troco na 2ª etapa, e no terceiro encontro, no final do mesmo mês, dividiu com “Lio” a terceira colocação na mesma categoria. Com o vice-campeonato na pro/am e o quarto lugar na amadora sênior da 4ª etapa do estadual, terminou ano novamente no terceiro posto no ranking daquela categoria e em sexto na outra.

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Se profissionalizou em 1992, ano de crise do bodyboarding cearense, terminando em terceiro no Drop Knee Contest Night, realizado na Praia de Iracema. No ano seguinte, começou vencendo a “expression session” na primeira etapa do Cearense. Ficou em 3º nas duas fases seguintes e competiu pela primeira vez numa etapa de brasileiro, como profissional, no encontro inicial daquele ano, em Maracaípe/PE, competição vencida pelo Rosa que a considerou a maior da vida dele.

Em 1994, estreou com o vice-campeonato na primeira disputa do estadual. Manteve a liderança do circuito depois do terceiro encontro, mas acabou obtendo seu primeiro vice-campeonato cearense profissional após desclassificação prematura na quarta e última etapa, devido cometimento de interferência. No ano subsequente, foi campeão nordestino, dando um basta na hegemonia regional de Francisco Rosa, após vencer uma disputa contra cinco cearenses, naquela que acabou sendo a única etapa do certame, ocorrida em Alagoas, em Barra de São Miguel, nos dias 28 e 29 de abril. Na 5ª Copa Cavalo Marinho, acontecida naquela temporada, e que também serviu como etapa da Copa Brasil, se chocou com o paulista Rodrigo Burani numa disputa de onda e acabou fraturando duas costelas, fato que lhe tirou da competição. Voltou aos campeonatos meses depois, estreando numa etapa de mundial, coincidentemente a primeira no país, aquela mesma vencida por Melk Lopes, e conseguiu a 23ª colocação, por ter avançado uma fase.

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Em 1996, foi novamente vice-campeão cearense profissional, desta feita perdendo título para Alberto Colares, mas também vice-campeão do circuito da OBP, ganhado por Luís Gustavo. Além desses títulos, também participou pela última vez de uma etapa de circuito mundial, e no mesmo local daquela do ano anterior. Na temporada seguinte, começou vencendo o combate inicial do estadual, no evento noturno apelidado de “Prevcon Pró Night”, ocorrido nos dias 21 e 22 de março, na Praia de Iracema. Mas, aquele ano se tornou especial para ele porque conseguiu, de forma inédita, disputar todas as etapas do circuito nacional, inclusive, dividindo a terceira colocação com o sergipano Alberto Gama no terceiro encontro, acontecido em maio, na Baía de Maracaípe, em Porto de Galinhas/PE, numa final inteiramente nordestina e com vitória cearense de Francisco Rosa. Em novembro, conquistou o vice-campeonato numa disputa brasileira de seleções, juntamente com “Lio”, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, vencida pelos locais, e ainda naquele mês foi destaque na etapa de Niterói do circuito nacional, realizada em Itacoatiara, com ondas grandes, terminando em décimo quarto no ranking.

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Em 1998, ano do primeiro título brasileiro cearense, o biografado também competiu em todas as etapas do circuito nacional, e mais uma vez conseguiu o terceiro posto no terceiro encontro, desta vez ocorrido na Praia do Atalaia, em Aracaju. Com a nona colocação na quarta e última fase, terminou temporada no décimo lugar do ranking, ficando na frente do até então campeão brasileiro, o carioca José Otávio. No estadual, com a vitória na quarta e última disputa, acabou em terceiro na classificação final.

Parou de competir em 1999, mudou-se para o Rio de Janeiro onde morou por três anos, depois residiu em Salvador nos seis seguintes, mas, durante esse último período, mais precisamente em 2003, quando seu irmão Alexandre Tavares já estava habitando em Aracaju, resolveu cair numa etapa do estadual de lá e acabou ganhando, num evento que teve a presença do baiano Uri Valadão, o mesmo que acabou conquistando o título mundial cinco anos depois. Recorda muito bem que, durante premiação daquele campeonato, dedicou pela primeira vez título ao seu grande amigo Francisco Rosa.

Voltou às competições, definitivamente, após terminar em terceiro no 2º Encontro Geração Morey Boogie, acontecido no final do ano passado, defronte barraca Água de Côco, no Morro do Chapéu, Taíba, mas antes disso, pontualmente no começo da mesma temporada, foi vice-campeão máster daquela que acabou sendo a única etapa do certame, fato que lhe garantiu o terceiro vice-campeonato estadual.

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Recentemente e, portanto, no começo deste mês, conquistou aquela que considerou ter sido a maior vitória da sua carreira, “porque foi numa final com atletas de alto nível e pessoas muito queridas”. Estamos tratando da 1ª etapa do inaugural circuito máster estadual, evento denominado Circuito Master Vip Francisco Rosa, realizado por Paulo de Tarso “Mano”, no último dia 05 (cinco), na Praia dos Coqueiros, Caça e Pesca, oportunidade em que o biografado conheceu pessoalmente Jorge Rebouças e dedicou, pela segunda vez, título para Francisco Rosa.

Fotografia dos três irmãos: Marinete Tavares

Fotografias antigas: Raul Oliveira e desconhecidos

Fotografia dando um el rollo: Felipe Ramos

Fotografia de capa e todas as outras: Marley Araújo

One comment

  1. É realmente uma pessoa excepcional, dedicado e ótimo filho e pai, orgulho pra nós seus tios Ana Alice e Wilson.

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