AO CAMPEÃO, TUDO!

Por Amadeu Júnior.

Está escrito: “As baterias deverão ser compostas por, no mínimo 2 bodyboarders e no máximo 4 bodyboarders, sendo admitido o avanço de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) dos bodyboarders para fase seguinte”. Essa regra data dos primórdios do bodyboarding e, assim como o próprio Livro de Regras, é influência direta do irmão mais velho do esporte, o Surfing.

Ora, o esporte de competição tem em sua gênese a busca pelo melhor, pela superação, pela conquista, pela vitória, enquanto essa regra anacrônica gera uma situação bizarra, onde são apontados na prática dois campeões. Campeão e vice-campeão da maioria das baterias (excetuando-se apenas o atleta x atleta) têm o mesmo prêmio até às semi-finais do evento, qual seja, a passagem para a próxima fase. Esse fato engessa o evento, limitando demasiadamente o tempo de competição, uma vez que um número maior de atletas classificados implica consequentemente num maior número total de baterias, além do quê, possibilita a aplicação de táticas de competição de caráter esportivo duvidoso, resultando num autêntico jogo de pega-pega, no qual atletas abdicam do direito de competir, para apenas impedir que outros atletas avancem na competição.

O que se propõe é simples: que premie-se o melhor, ou seja, que apenas o campeão e tão somente o campeão de cada bateria avance para a próxima fase. Haveria, certamente, uma melhora na dinâmica das baterias, uma vez que o prêmio caberia apenas a um competidor, obrigando todos os outros a perseguirem tão somente o primeiro lugar do início ao fim de cada bateria e do evento em si.

Haveria também uma maximização do número de competidores, uma vez que seriam necessárias menos fases até atingir a bateria final, possibilitando um acréscimo do número de inscritos em cada categoria. Exemplificando, uma categoria amadora, com trinta e dois atletas inscritos, necessita de quinze baterias no sistema tradicional, para se apontar seu vencedor. Já no sistema em que apenas o campeão se classifica, seriam necessárias apenas onzes baterias, ou seja, economia de quatro baterias ou uma hora de evento, minutos preciosos em tempos de cronogramas apertados. Essa economia de tempo poderia ser revertida também para as categorias profissionais, que tanto clamam por um acréscimo do número de confrontos atleta versus atleta, contribuindo para tornar os eventos ainda mais atraentes para atletas, público, patrocinadores e imprensa.

É chegada a hora de repensar o esporte. A mudança proposta, apesar de pequena, tem um alcance enorme e imediato. Portanto, o tema deve ser discutido à exaustão por toda a comunidade bodyboarder, acrescentando ideias que possibilitem a inserção do bodyboarding no século XXI.

One comment

  1. Muito bom!! Realmente um debate seria essencial , um encontro ou congresso!! Para levarmos ideias de atualização de certos itens que digamos deixam a desejar!! Sou favorável a certas mudanças nas regras, mas sabemos que isso leva tempo, mas é preciso sim um debate com a comunidade do body boarding !! Vamos formalizar em um congresso com os outros Estados para tentarmos atualizar e alinhar pensamentos!! Parabéns pela matéria, espero que outros analisem tudo isso e muitp mais!!

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