A COPA QUE DIVIDIU ÁGUAS

No próximo domingo, mais precisamente dia 21 de janeiro, completarão 30 (trinta) anos do início da 1ª Copa Cavalo Marinho, evento realizado pelos proprietários da marca (Raul Oliveira e Teresa Neuma) e tratado por todos da época como um “divisor de águas” do bodyboarding cearense.

Para Gabriel Mesquita, presidente da nossa maior entidade quando aconteceu a inédita copa, ela foi uma revolução no esporte a nível local, pois, pela primeira vez, o estado teve um evento “grandioso” e pôde mostrar seus atletas para o mundo. Paulo de Tarso, o “Mano”, segundo dirigente da associação e hoje presidente da ACEAB (Associação Cearense dos Árbitros de Bodyboarding), também conceituou a primeira edição como um marco na história estadual do esporte.

Rogério Biola, lenda do bodyboarding alencarino, considerou marcantes as copas, porque permitiu, logo nas primeiras edições, que os atletas cearenses pudessem testemunhar as performances dos principais competidores da nação.

A 1ª Copa Cavalo Marinho aconteceu na Taíba, de 21 a 24 de janeiro de 1988, mais precisamente no tradicional pico “Taibinha”. Daniel Holanda, terceiro melhor atleta júnior do estadual daquele ano, foi o único cearense que venceu uma das categorias, a estreante. Na mirim/júnior, Luciano Praça foi o vice-campeão, mesma colocação no feminino da nossa melhor representante, Graziela Monteiro, a então campeã estadual (1987). Ela perdeu apenas para a pernambucana Elka Roichman, que depois se tornou esposa de um dos maiores surfistas do país (Fábio Gouveia) e mãe de Ian, o mais novo brasileiro na elite do surf mundial. Na principal categoria do masculino, nosso melhor competidor foi o campeão estadual daquela temporada, Rogério Biola, que conquistou a quinta colocação e se envolveu num dos momentos mais marcantes do evento.

Gabriel Mesquita, o principal dirigente à frente da organização da competição, recorda muito bem de três momentos, inclusive esse acima referido. Foi a desclassificação precoce de um dos maiores atletas do país na época, integrante da primeira equipe brasileira que disputou o mundial, o carioca Cláudio Marques, que, inclusive, tinha acabado de chegar do Havaí, onde representou nossa nação. Segundo o presidente da nossa associação, “Marques cometeu interferência e saiu “cuspindo brasa” do mar, acusando o Biola de tê-lo feito interferir de propósito e o Biola chorando dizendo que era fã dele e jamais faria aquilo. Só com muita conversa para acalmar a situação”.

O segundo fato foi outra interferência, nas quartas-de-final, desta vez marcada em desfavor de Francisco Rosa, o destaque do evento, e que, por isso, acabou sendo incluído na temida equipe Oxigênio/Ozônio, pouco tempo depois, ao lado do próprio Cláudio Marques. Infração foi marcada na última onda da disputa, que envolvia o atleta pernambucano Jorge Aguiar, ganhador da competição. “Arbitragem dividida entre a existência ou não da interferência. Eu fazia a locução do lado de fora do palanque e o Mano desceu para me consultar. O Rosa havia cometido a interferência, mas, na visão dele, o tempo da bateria já havia acabado. Depois de longas análises, conversas, discussões sem o vídeo para revermos a onda, pois, esta tecnologia nem era sonhada na época, acabamos por concluir que o Rosa também cometera infração. Acredito que esta decisão tenha sido mais política do que técnica, tendo em vista a pressão dos atletas de Pernambuco e Rio de Janeiro”.

O terceiro e último instante, compreendeu aquela que acabou conquistando título estadual daquela temporada, a Anastácia Ribeiro. “Ela executou uma manobra que somente era computada como valiosa em nosso Estado e não nos demais (parafuso). Foi fazer a manobra e a praia veio abaixo. Os árbitros de Pernambuco não queriam soltar a nota e desta vez não teve jeito, tiveram que valorizar a manobra porque no Ceará ela valia muito…rs”, completou.

Para Paulo de Tarso, o “Mano”, essa primeira copa foi um exemplo para o restante do país no quesito premiação. Recorda ainda, que foi naquela competição que estreou como head-judge, para equilibrar julgamento, dividindo o comando técnico com Samuel, um pernambucano que, para ele, foi um excelente profissional.

 

Fotografia: Raul Oliveira

 

Fontes:

Jornal Ação Bodyboarding

Jornal Rollo!

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Um comentário

  1. Realmente, um divisor de águas, aqui no Nordeste era cono uma etapa do circuito Brasileiro, tamanha disputa e valorização por parte dos atletas, que compareciam de todas as partes do Brasil !!Saudades !! Somente relembradas nas boas matérias do Marley ! Parabéns ao pessoal do Cavalo Marinho !! Tempos maravilhosos, vale sempre falar sobre esse que com certeza foi um dos maiores eventos do bodyboading nacional. Etapas incriveis tudo muito bem organizado !

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