AUTOBIOGRAFIA LENDÁRIA

Além de ser pai de dois filhos, funcionário público estadual aposentado, fotógrafo, blogueiro dono deste site, árbitro da ACEAB (Associação Cearense dos Árbitros de Bodyboarding) e co-organizador do master alencarino, no final do ano passado me tornei o primeiro campeão lendário da história do bodyboarding cearense, mesmo sofrendo com uma doença grave, crônica e degenerativa, e agora vocês terão oportunidade de conhecer toda minha trajetória esportiva.

Tudo começou no final da década de oitenta, mais precisamente em 1989, quando me encontrava com dezesseis anos de idade, graças ao incentivo e a parceria do grande amigo do bairro Benfica (Eduardo Freitas) conhecido por “Picolé”. Minha primeira prancha foi uma “Scott”, adquirida com muito sacrifício da minha parte e com a ajuda dos meus pais. Não demorou muito para meu irmão (Sávio Araújo) se juntar a nós (os primeiros bodyboarders do “Vai e Volta”) e, por conta da menor distância para nossa casa, aprendemos a surfar no famoso “Lido Brabo”, da histórica Praia de Iracema. Na época, ou seja, muito antes do aterramento, rolavam altas ondas naquele pico e várias vezes saíamos do mar para assistir shows de bodyboarding do Francisco Rosa, Rogério Biola e Bira Teixeira. Ficava impressionado quando eles mandavam aqueles incríveis aéreos muito próximos das pedras e foi assim que me apaixonei profundamente pelo nosso esporte.

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Apesar de ter participado, na Praia do Futuro, de um bodytreino entre conhecidos, inclusive, com aquele que se tornou vice-campeão brasileiro amador em 1998, Fagner Rondinelle (ele não lembra), nunca me considerei apto para competir, afinal, não treinava muito (porque ajudava meu pai num mercadinho) e porque o nível de todos naquela época era muito alto. Mesmo assim, sempre estava antenado com todas as competições pelo fato de ter sido colecionador da primeira revista especializada (Fluir Bodyboarding), motivo pelo qual, me fiz presente como expectador na 4ª Copa Cavalo Marinho, onde me aproximei de grandes atletas cariocas, como Cléo Guimarães, as irmãs Nogueira, Marcelo Siqueira, Paulo Esteves e Alexandre de Pontes. Entretanto, em 1993, meio desanimado com a “liseira” e alguns traumas adquiridos em ondas maiores da PF e Icaraí, acabei me afastando para trabalhar numa distribuidora de cerveja na condição de operador de computador, graças a força de uma grande amiga (Lucinha Diniz).

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Sempre fui um apaixonado por todos os esportes e, antes mesmo de me tornar bodyboarder, organizava “olímpiadas” na rua onde morava, confeccionando, inclusive, as medalhas, que eram feitas de papelão com cobertura de papel metálico (ouro, prata e bronze). Todavia, devido tanto tempo afastado do bodyboarding, bem como o excesso de trabalho depois de me tornar funcionário público estadual (Escrivão da Polícia Civil do Estado do Ceará), em maio de 2010 descobri ter adquirido um reumatismo grave, crônico e degenerativo denominado “espondilite anquilosante”, o que me levou a uma aposentadoria precoce (por invalidez), logo após uma forte depressão, que também foi potencializada por conta da separação e algumas decepções. Portanto, havia atingido o famigerado “fundo do poço”.

Apesar daquela situação que incluía também pouquíssima mobilidade, não foi difícil enxergar a saída diante do meu novo tempo livre, da minha nova condição financeira e da indicação do reumatologista para obter o mínimo de qualidade de vida: o retorno às ondas. Essa volta aconteceu em fevereiro de 2012, na Taíba, após adquirir novo equipamento (prancha da marca Genesis, modelo Paulo Barcellos) na loja High Score, situada no shopping Center Um. Não contente, resolvi ir ao encontro do presidente da federação estadual, Tom Santiago, porque havia visto numa rede social que inscrições estavam sendo feitas para um curso de arbitragem de bodyboarding mediante indicação ou convite. No final do ano seguinte (2013), mais precisamente durante cerimônia de premiação da etapa de encerramento do circuito estadual, recebi das mãos do Amadeu Júnior (então presidente da ACEAB) o diploma de conclusão do referido curso e me tornei julgador cearense, fato especialmente presenciado e registrado por uma grande mulher que reapareceu na minha vida, e que foi fundamental nesse meu renascer: Noeme Cristina. Desde então, tive a honra e o prazer de fazer parte do julgamento de três circuitos estaduais seguidos (2014 a 2016), dando nota para grandes atletas cearenses, dentre eles, a tetracampeã mundial Isabela Sousa e o pentacampeão brasileiro Roberto Bruno.

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Porém, no dia 13 de fevereiro de 2016, ainda um pouco desgostoso porque sentia falta da história local do esporte, e com a ajuda de todos da associação arbitral, principalmente, o grande Paulo de Tarso “Mano”, realizei um encontro com os mais antigos atletas alencarinos (1º Encontro Geração Morey Boogie) objetivando acesso aos respectivos arquivos pessoais e o resultado disso foi este site, o único do planeta que contém a história do bodyboarding cearense.

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Pouco depois de me fazer presente (como fotógrafo e blogueiro), pela primeira vez, em Itacoatiara, no Rio de Janeiro, numa etapa de circuito mundial que, coincidentemente, nosso Diego Gomes e nossa Isabela Sousa foram campeões, realizei outro encontro, desta feita, na forma de competição (2º Encontro Geração Morey Boogie). Com o sucesso dele e diante da crescente evolução no país de novos circuitos estaduais percebida pelo maior head-judge regional (Paulo de Tarso “Mano”), nasceu o nosso master, o qual, me tornei co-organizador, mas também atleta, algo jamais imaginado pela minha pessoa.

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Ano passado, mais precisamente no segundo semestre, tive três imensas alegrias que jamais esquecerei: a primeira por ter participado, juntamente com três grandes bodyboarders cearenses (Alberto Maia, Ériko Vasconcelos e Marlus Joca), de um encontro inédito na Barra da Tijuca (Bodyboard Legends 2018), promovido pelo “big rider” Marcelo Pedro, e que reuniu boa parte dos mais antigos atletas nacionais, como a pioneira Gica Vargas, o pioneiro Kung, as irmãs Nogueira, Glenda Koslowski, Guilherme Tâmega, Cláudio Marques, Kiko Ebert, Soraia Rocha, Neymara Carvalho, “Gordinho”, dentre outros; a segunda, por ter participado (como fotógrafo e blogueiro), pela primeira vez, de uma etapa de circuito brasileiro e no meu Ceará; e a terceira, por ter me tornado o primeiro campeão lendário do histórico Circuito Master Vip Francisco Rosa, vencendo a segunda etapa (de três acontecidas) com uma prancha Gênesis modelo Roberto Bruno, mesmo sem nunca ter acreditado que isso pudesse acontecer.

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Enfim, esta é a história de mais um apaixonado pelo bodyboarding, que não mais pretende se afastar dele e que sonha com dias melhores para nosso amado esporte.

Fotografia de capa: Noeme Cristina

Outras fotografias: Noeme Cristina, Marley Araújo, Renato Pinguim, Gabriel Paula, Israel Rodrigues e Amadeu Júnior.  

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