UM OKINAWA OBSTINADO

Apontado por muitos como um dos principais responsáveis pelo crescimento da Genesis no país, nosso mais novo biografado também foi o primeiro nordestino entre os oito melhores do Brasil, o primeiro da região que teve uma prancha “pro model”, além de ter sido o primeiro bicampeão estadual no mesmo ano, façanha essa conseguida por poucos.

Cearense de Pacoti, pai e atualmente com 48 (quarenta e oito) anos de idade, o grande Seikiti Shinmon surfou pela primeira vez em 1987, no Iguape, com uma prancha da marca Elton emprestada da Suely, árbitra da primeira entidade alencarina (ABBC). Depois, desceu as ondas da Praia de Iracema, momento em que viu Francisco Rosa, Rogério Biola e “Bira” Teixeira “fazendo mágicas” no Lido “Brabo”. Seu maior incentivador foi Carlos Ezequiel e sua primeira participação numa competição também foi no mesmo ano, no 2º Contest de Bodyboarding, onde foi vice-campeão na estreante, 4º na mirim e já com a ajuda do primeiro patrocínio, “Chinês Lanches”. No ano seguinte, o inicial da nossa pioneira entidade, foi o quinto melhor da categoria amadora sênior, conseguindo o vice-campeonato na segunda etapa.

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Em 1989, estreou na histórica Copa Cavalo Marinho (segunda edição dela) obtendo a quarta colocação, foi o sexto no ranking final do estadual e criou o fundamental jornal “Rollo!”, juntamente com Régis Damasceno. No ano seguinte, um dos melhores de sua carreira, começou sendo campeão da primeira Copa Ação na Praia do Futuro. Depois, foi campeão amador da 3ª Copa Cavalo Marinho, se tornando o primeiro atleta a vencer um evento com o bodyboard Genesis. Ficou entre os cinco primeiros do circuito da associação da Praia de Iracema (ABPI) e, com grandes resultados, inclusive vitórias, entrou para a história como o primeiro a conquistar um bicampeonato cearense no mesmo ano, porque foi campeão em duas categorias (pro/am e amadora). Não satisfeito, fez duas semi-finais no circuito brasileiro, terminou na sétima colocação do ranking nacional e, se tornou assim, o primeiro amador nordestino top oito da história do esporte.

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Em 1991, mais precisamente em julho, na Praia do Francês, foi quinto na única Copa Cavalo Marinho alagoana, a segunda feita fora do Ceará. Todavia, aquele ano se tornou especial para ele porque foi morar em São Vicente/SP, onde trabalhou na associação paulista e onde conseguiu ser vice-campeão amador daquela federação, ganhando a prestigiada etapa do Canto do Maluf, em Pitangueiras, dias 12 e 13 de outubro, superando, inclusive, Maurício Montanha, que veio a se tornar campeão paulista profissional três anos depois. Disputou ainda, naquela temporada, duas etapas do Carioca, a segunda no Meio da Barra (Rosa foi vice-campeão profissional) e a quarta na bomba de Itacoatiara (dividiu a quinta colocação com o campeão brasileiro da categoria Adilson Chumbinho). Depois de seis meses, já em 1992, voltou ao Ceará, se profissionalizou, terminou ano na terceira colocação do ranking estadual e foi vice-campeão nordestino profissional, atrás somente de Francisco Rosa, naquele que foi o primeiro circuito regional da história do esporte. Além desses resultados, foi também top oito do circuito brasileiro, ficando em quinto na primeira etapa em Guarujá/SP.

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Em 1993, venceu a primeira etapa do circuito paraibano na Praia do Macaco e terminou como sétimo melhor do país. No ano seguinte, foi top seis do Brasil, e na temporada posterior, aquela que considera ter sido a melhor de sua carreira, começou se tornando o primeiro nordestino a ter uma prancha “por model”, oriunda da marca Genesis, e obtendo a 17ª colocação no Havaí, no último campeonato mundial realizado pela Morey Boogie. Mesmo sendo sua estreia naquele pico e o único do nordeste brasileiro, foi o quarto melhor tupiniquim dentre 64 (sessenta e quatro) competidores e venceu, na primeira fase, o local (havaiano) inventor da manobra “el rollo”, Pat Cadwell. Outra façanha daquela temporada foi a quarta colocação no ranking brasileiro, após o vice-campeonato na quarta e última etapa da Copa Brasil, no mês de dezembro, na Barra da Tijuca, com ondas de até 10 pés (2,5m), onde foi superado apenas pelo carioca campeão mundial amador, Jefferson Anute, que perdeu a prancha e teve que ser resgatado de helicóptero salva-vidas.

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Shinmon representou ainda o país nos mundiais da GOB (Global Organization of Bodyboarders) de 1995 a 1998, mas também, organizou e participou do circuito OBP (Organização dos Bodyboarders Profissionais) em 1996, ano em que teve outra prancha “pro model”, desta vez da Sthill Bodyboards, a “Seikiti Prime”. Em fevereiro de 2000, disputou sua última etapa de circuito brasileiro em Fernando de Noronha, conseguindo a nona colocação, momento em que, pela primeira vez, dividiu quarto com “Lio”. Após o falecimento dele (Francisco Rosa), foi morar nos EUA e, em 2005, conseguiu ser campeão master americano. No começo deste mês, depois de aproximadamente uma década, participou de uma etapa do estadual, o “Prainha Bodyboard Pro 2019”, onde encontrou grandes amigos do início de sua trajetória, dentre eles, Marlus Joca.

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Numa entrevista para nosso site, o campeão nordestino pro/am de 1992 (Marlus Joca) nos fez várias revelações, dentre elas, que o apelido do biografado naquela época era “Okinawa”. Mas a principal delas foi retratar todo o esforço do Shinmon para vencer na vida. “Ele saiu da Sargento Hermínio, comprava e vendia roupas para sobreviver, além de espaços no jornal ‘Rollo!’, e hoje mora em Miami.” E disse mais: “Ele também foi um dos responsáveis pelo sucesso da Genesis e pela minha evolução no bodyboarding”.   

Agradecimentos especiais do biografado ao Luís Gustavo e Roberto Bruno (por terem lhe ajudado a consolidar o mercado da Genesis no Ceará), ao João Vilela Genesis (dono da marca), ao Paulo de Tarso “Mano” (por ter lhe recomendado para a equipe “Speedo Genesis” do Marcus Cal Kung) e ao presidente da associação paulista do esporte, Washington Teixeira (por todo apoio em São Paulo). 

Fotografia de capa: Marley Araújo

Outras fotografias: Marley Araújo e arquivo pessoal do biografado. 

Fontes:

Jornal Rollo!

Jornal Diário do Nordeste

Jornal O Povo

Jornal da Praia

Jornal Instant

Jornal Ação Bodyboarding

Revista Style

Revista Fluir Bodyboard

Associação Paulista de Bodyboarding

7 comentários

  1. Para além das competições, ele fez muito pelo esporte, quem viu as fotos dele em Noronha com 12 pés sabe do know how desse cara, inventou uma rabeta de pranchas que até hoje é usada nas piscinas de ondas, uma grande referência internacional, os gringos adoram ele, deixou um legado ímpar para as gerações posteriores, parabéns big 👊🏻

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