LENDÁRIO NORDESTINO

Com três vices estaduais, vice do primeiro circuito local paralelo (OBP), título nordestino e a conquista da inaugural etapa do nosso master na principal categoria, ano passado ele se tornou o segundo campeão cearense lendário da história do esporte, o primeiro invicto.

Assumidamente um atleta alencarino (apesar da origem carioca), Gustavo Tavares (46) estreou com uma Aussie II, em 25 de dezembro de 1985, na praia do Leme, pico berço do esporte no país, juntamente com seus outros dois irmãos que foram importantíssimos para o bodyboarding cearense. Patrícia Tavares (a irmã “do meio”), chegou a ganhar a quarta e última etapa do estadual de 1990, terminando em terceiro no ranking feminino da temporada, encerrando sua participação no esporte como somadora numa passagem fugaz na principal entidade local. Já Alexandre, o mais velho deles, foi árbitro relevante da mesma entidade, mas também o fundador da primeira federação. Todos tiveram o incentivo da mãe, Dona Marinete Tavares, mesmo sendo ela aquela que exigiu que os três se desfizessem da primeira prancha de surf que ganharam do pai, devido corte sofrido nas quilhas pelo biografado, na primeira onda surfada aqui em Fortaleza, fato ocorrido antes do natal daquele ano (1985).

O primeiro bodyboarder que viu arrebentando nas ondas da capital cearense (numa Mach 7.7) foi Jorge Rebouças, o “Magoo” (vice-campeão cearense amador júnior 1988), fato que recorda ter se repetido outras três vezes, entretanto, por incrível que pareça, só o conheceu pessoalmente há três anos, durante seu primeiro título no Circuito Master Vip Francisco Rosa (categoria quarentões).

Sua estreia em competições foi num intercolegial do colégio Farias Brito onde obteve a terceira colocação, tendo sido julgado pelos três maiores dirigentes e árbitros estaduais da época (Paulo de Tarso, Miguel Ângelo e Ednardo Peixoto), convidados para tal pelo seu irmão mais velho, que acabou sendo inserido no quadro técnico da nossa primeira entidade (ABBC). Além de ter competido no circuito da associação da Praia de Iracema (ABPI), nesse mesmo ano caiu na histórica 3ª Copa Cavalo Marinho (quinto na estreante) e principiou no estadual logo em duas categorias (amador júnior e pro/am), tendo chegado à final na principal, onde acabou perdendo apenas para o campeão daquela temporada (Seikiti Shinmon). Com esse e outros resultados, terminou em terceiro no ranking final da pro/am, no seu primeiro ano de circuito, mas também em quarto na amadora júnior.

Nosso biografado também foi quinto colocado na 4ª Copa Cavalo Marinho, ao lado do primeiro bicampeão cearense (Rogério Biola) e do primeiro campeão brasileiro (Paulo Esteves/RJ), se profissionalizou no ano seguinte (1992), quando foi terceiro no histórico “Drop Knee Contest Night”, e estreou no brasileiro na primeira etapa da temporada subsequente (Maracaípe/PE), exatamente naquela vitória que Francisco Rosa considerou a maior de sua vida.

Em 1994, obteve seu primeiro vice-estadual, de três conquistados, perdendo apenas para nosso saudoso pioneiro (in memoriam) e, no ano subsequente, conquistou seu único título nordestino, aquele que deu um basta na hegemonia regional do Francisco Rosa. Na 5ª Copa Cavalo Marinho, acontecida naquela mesma temporada, e que também serviu como etapa da Copa Brasil, se chocou com o paulista Rodrigo Burani numa disputa de onda e acabou fraturando duas costelas, fato que lhe tirou da competição. Voltou aos campeonatos meses depois, estreando numa etapa de mundial, coincidentemente a primeira no país, aquela mesma vencida por Melk Lopes, onde conseguiu a 23ª colocação, por ter avançado uma fase.

Em 1996, foi novamente vice-campeão cearense profissional, desta feita perdendo título para Alberto Colares, mas também vice-campeão do circuito da OBP, ganhado por Luís Gustavo. Além desses títulos, também participou pela última vez de uma etapa de circuito mundial, no mesmo local da anterior. Na temporada seguinte, começou vencendo o combate inicial do estadual, no evento noturno apelidado de “Prevcon Pró Night”, mas aquele ano se tornou especial para ele porque conseguiu, de forma inédita, disputar todas as etapas do circuito nacional, inclusive, dividindo a terceira colocação com o sergipano Alberto Gama no terceiro encontro (Maracaípe/PE), numa final inteiramente nordestina e vencida pelo Francisco Rosa. Em novembro, conquistou o vice-campeonato numa disputa brasileira de seleções, juntamente com “Lio”, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, vencida pelos locais, e ainda naquele mês foi destaque na etapa de Niterói do circuito nacional, realizada em Itacoatiara, com ondas grandes, terminando em décimo quarto no ranking.

Em 1998 (ano do primeiro título brasileiro de um cearense), o biografado também competiu em todas as etapas do circuito nacional e, mais uma vez, conseguiu o terceiro posto no terceiro encontro, desta vez, ocorrido na Praia do Atalaia, em Aracaju. Com a nona colocação na quarta e última fase, terminou temporada no décimo lugar do ranking, ficando na frente do carioca então campeão brasileiro, José Otávio. Parou de competir em 1999, mudou-se para o Rio de Janeiro onde morou por três anos, depois residiu em Salvador nos seis seguintes, mas, durante esse último período, precisamente em 2003, quando seu irmão Alexandre Tavares já estava habitando em Aracaju, resolveu cair numa etapa do estadual de lá e acabou ganhando, num evento que teve a presença do baiano Uri Valadão, o mesmo que acabou conquistando o título mundial cinco anos depois. Recorda muito bem que, durante premiação daquele campeonato, dedicou pela primeira vez o título ao seu grande amigo Francisco Rosa (falecido em 2001).

Voltou às competições, definitivamente, com uma terceira colocação no 2º Encontro Geração Morey Boogie (2016), realizado por este site e acontecido no Morro do Chapéu (Taíba), mas, antes disso, pontualmente no começo da mesma temporada (2016), foi vice-campeão máster daquela que acabou sendo a única etapa do certame, fato que lhe garantiu o terceiro vice-campeonato estadual.

Há três anos, conquistou aquela que considera ter sido sua maior vitória, “porque foi numa final com atletas de alto nível e pessoas muito queridas”. Estamos tratando da etapa inaugural do circuito que homenageia “um dos seus grandes amigos” (também nosso principal pioneiro), o mesmo que o biografado dedicou, pela segunda vez e nessa oportunidade, um título de sua carreira. Na ocasião, fez final com Melk Lopes, Luiz Gustavo e Alberto Colares. Para completar, ano passado, de forma invicta, alcançou seu primeiro título estadual e entrou para a história do nosso esporte como o segundo campeão cearense lendário.

Fotografia de capa: Marley Araújo

Outras fotografias: Marley Araújo, Gabriel Paula, Israel Rodrigues e Felipe Ramos

Um comentário

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